O mais famoso animador do Japão, quando o assunto é o anime. Falar dele em uma só postagem além de reunir um resumo dos seus longa metragens não foi tarefa fácil. Espero que agrade aos fãs de Miyazaki.

Do início

Hayao Miyazaki nasceu no bairro Akebono, cidade de Tóquio, em 5 de janeiro de 1941. Segundo dos três filhos de Katsuyiki Miyazaki e sua esposa. Em plena Segunda Guerra Mundial, o pai de Hayao trabalhava em uma fábrica, a Miyazaki Planes, de propriedade do tio do animador e irmão de Katsuyiki, que construía lemes para aviões. Talvez venha o tema recorrente de aviação. A mãe de Miyazaki era uma mulher muito reservada e inteligente: Shirou Miyazaki, irmão mais novo do animador, comentou uma vez que a personagem Dola, de Laputa: Castle in the Sky, lembrava muito sua mãe, não pelo visual, mas pela personalidade.

Tonari no Totoro, um dos longas mais conhecidos do diretor, é uma homenagem a essa fase de sua vida, tanto é que muitos críticos consideram essa animação como autobiográfico.

A grande guerra fez com que a família de Miyazaki se mudasse, para as cidades de Utsunomiya e Kanuma, no estado de Tochigi, aproveitando que a fábrica da Miyazaki Planes ficava em Kanuma. Com isso, Hayao acabou estudando em diversas escolas. Essa foi uma fase muito complicada da vida do pequeno Hayao, pois sua mãe passou por uma doença – tuberculose espinhal – que a deixou de cama por nove anos!

My Neighbor Totoro

 

Miyazaki cursou os dois primeiros anos – 1956 e 1957 – do colegial na Escola Omiya, e o último ano (1958) na Toyotama High. E é exatamente durante seu último ano de colegial que Hayao assiste o primeiro longa-metragem animado colorido do Japão, Hakuja Den, dirigido por Yabushita Taiji, uma produção da Toei Animation (Toei Douga), e fica interessado em animação.

Sua experiência com desenhos se resumiam a diversas artes de aviões e aeronaves (influenciado pelo trabalho do pai) mas nunca havia se preocupado em desenhar pessoas, o que o deixou meio preocupado. Após se formar na Toyotama High, Hayao ingressou na Universidade Gakushuin no curso de economia, em 1959. Lá, participou de um clube de pesquisa de literatura infantil, algo bem parecido com um grupo de fãs de quadrinhos. Miyazaki se forma com habilidades em Ciências Políticas e Economia em 1962, e logo após consegue um emprego na Toei Animation.

 O começo da carreira

Em 1963 Hayao começa a trabalhar na Toei como intervalador, cuja função é animar com as guias enviadas pelos animadores-chefes, ou key animators. Com um salário de 19.500 yen na época (só o aluguel de seu pequeno apartamento  em Tóquio, era de 6.000 yen), o artista ainda ajudou a liderar os animadores do estúdio que estavam tendo problemas com o sindicato local. 64 foi um ano marcante vida de Miyazaki: além de ter se tornado Secretário-Chefe do sindicato trabalhista da Toei (continuando ainda com o trabalho de animador), começou a namorar com a colega de trabalho Akemi Ota, além de sua relação com Isao Takahata, outro colega de trabalho e vice-presidente do sindicato trabalhista, se solidificar ainda mais.

Quando a produção do longa animado Prince of the Sun começou, em 1965, Hayao ofereceu voluntariamente seus trabalhos ao diretor, Takahata. Já prevendo que a televisão tomaria conta dos trabalhos da empresa a partir de agora, Miyazaki fez um pacto com Isao e com Yasuo Otsuka (diretor de animação do longa) para terminar a produção do filme juntos, não importando o tempo que levasse.

65 também marcou o casamento de Hayao com Akemi, que mudaram para Higashi-Murama, em Tóquio. Prince of the Sun foi finalmente lançado em 1968. Logo após, Miyazaki e Ota já estavam trabalhando em outra produção, Puss in Boots, onde Hayao já ocupava o cargo de key animator. O ano de 69 contou com o nascimento do segundo e último filho do casal, além do início dos trabalhos no longa The Flying Ghost Ship, que contou novamente com Miyazaki como key animator.

Saída da Toei

Em 71 Hayao deixou a Toei para se juntar a Isao Takahata e Yoichi Otabe na produtora A-Pro. A partir desse período, Miyazaki fez diversas viagens ao exterior seja para comprar os direitos de alguma obra – ele e o presidente da Tokyo Movie Yutaka Fujioka tentaram obter os direitos da personagem Pipi Meias-Longas, o que acabou não acontecendo – ou para visitar locações que serviriam de base para seus novos animados.

Hayao Miyazaki já anunciou sua aposentadoria diversas vezes, mas sempre acabou voltando para dirigir mais filmes. Com “Gake no ue no Ponyo”, seu último filme, não foi diferente. Agora é só esperar que o diretor mude de ideia novamente.

Em 1973, a trinca Miyazaki/Takahata/Otabe deixa a A-Pro e entraram na Zuiyo Pictures. Na nova produtora, Miyazaki viajou mais duas vezes ao exterior: para a Suíça, ele foi se inspirar para desenvolver os cenários e montar as cenas do longa Heidi: Girl of the Alps; em 1975, ele viajou para a Itália e para a Argentina para se preparar para Three Thousand Miles in Search of Mother. Foi em 1978 que Hayao ganhou a direção de sua primeira série de TV, Future Boy Conan (Mirai shônen Conan) e, em 1979, ele dirigiu seu primeiro longa, Rupan sansei: Kariosutoro no shiro, para a produtora Tokyo Movie. Em 1980, Hayao Miyazaki trabalhava como instrutor para novos animadores na produtora Telecom. Foi usando como pseudônimo o nome da empresa onde trabalhava que Miyazaki foi creditado como diretor dos episódios 145 e 155 da série animada Lupin III.

O sucesso de Nausicaä e o nascimento do Studio Ghibli

Em 1982, enquanto trabalhava em seus filmes, Miyazaki escreveu e desenhou o mangá Kaze no tani no Naushika, mais conhecido internacionalmente como Nausicaä of the Valley of the Wind. Utilizando alguns elementos que são considerados sua marca registrada em outros animados – o gosto pela aviação, ecologia e suas consequências e a ausência de um vilão da maneira como conhecemos – o mangá foi um grande sucesso, o que levou o diretor a preparar a versão animada de sua própria série de quadrinhos japoneses. Produzido por Isao Takahata e animado pela produtora Topcraft, o anime, lançado em 1984, foi um sucesso tão grande que deu forças a Hayao e Takahata abrir seu próprio estúdio de animação: o Estúdio Ghibli (Sutajio Jiburi), no bairro Suginami, em Tóquio.

O compositor Joe Hisaishi é um colaborador constante nos animados do diretor.

O sucesso de Nausicaä veio em um momento delicado da vida de Miyazaki: em 1983, um ano antes do lançamento do anime, a mãe de Miyazaki falecera, aos 71 anos. A partir daí, Miyazaki começou a se dedicar a escrever e dirigir longas-metragens, e o sucesso alcançado com Nausicaä só se fazia aumentar: Laputa: Castle in The Sky (Tenkû no shiro Rapyuta, 1986) foi a primeira produção do estúdio, seguido por Meu Vizinho Totoro (Tonari no Totoro, 1988), Kiki’s Delivery Service (Majo no takkyûbin, 1989), Porco Rosso (Kurenai no buta, 1992) e On Your Mark (1995).

Miyazaki não gosta de ser chamado de “Walt Disney japonês”

Vale notar que Miyazaki continuou escrevendo e desenhando o mangá de Nausicaä durante 12 anos! Ele terminou a série apenas em 1994.

Parceria com a Disney e sucesso internacional

Em 1996, com o aumento dos investimentos norte-americanos nessa nova onda conhecida como “anime” e “mangá”, a Disney viu como o momento perfeito para aproveitar a qualidade e o sucesso que os filmes de Hayao Miyazaki faziam no oriente para garantir os direitos de distribuição dos filmes do diretor. Com isso, foi fechado entre a Disney e o Estúdio Ghibli o acordo conhecido como Disney-Tokuma que, em resumo, consiste na distribuição mundial (incluindo Japão, mas excluindo a Ásia) em vídeo (DVDs não estão incluídos) de todos os longas animados do Estúdio Ghibli, sem falar na distribuição mundial nos cinemas daquele que lançaria o nome de Hayao Miyazaki ao mundo: Princesa Mononoke (Mononoke-hime, 1997). A história de Princesa Mononoke mais uma vez mostra a ecologia como plano de fundo para a busca do Príncipe Ashitaka para curar uma maldição que o consome.

Miyazaki às vezes utiliza amigos e conhecidos seus como fontes de inspiração para seus personagens. Por exemplo: Chihiro, a personagem principal de “A Viagem de Chihiro”, é baseada na filha de um de seus amigos.

O filme se tornou a maior bilheteira da história do Japão (faturando o equivalente a US$ 150 milhões), batendo E.T. – O Extraterrestre (e ficou na primeira posição até Titanic estrear em terras nipônicas). O filme levou diversos prémios no Japão e em outros festivais internacionais. E foi após Mononoke que Hayao Miyazaki anunciou, pela primeira vez, sua aposentadoria. Mas o sucesso o chamou de volta para dirigir A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi, 2001). Agora com um certo nome internacional e com a força da distribuição mundial nas mãos da Disney, o filme faturou mais prémios internacionais (incluindo o Oscar de melhor longa-metragem animado em 2003) e foi sucesso por onde passou. Em 2005, chegou aos cinemas O Castelo Animado (Hauru no ugoku shiro, 2004), com mais prémios (como a indicação ao Oscar de melhor animação) e uma bilheteira de arrasar ao redor do mundo.

O animador é um grande fã do coelho Pernalonga da fase Chuck Jones.

Mesmo assim, Hayao Miyazaki ainda está longe de ser reconhecido, principalmente no ocidente, como seu colega de profissão Walt Disney. Com diferentes posições ideológicas quanto a seus filmes, o amor incontestável pela arte da animação está claro em seus filmes, e é apenas questão de tempo para que Miyazaki consiga alcançar a popularidade da qual já desfruta em seu país natal.(Vale também lembrar que ele lançou um novo filme Ponyo com os mesmos temas).

Veja o Storyboard de “O serviço de Entrgas da Kiki”

 

Filmografia

Kaze no tani no Naushika (風の谷のナウシカ ?)

(em português: Nausicaä do Vale do Vento), 1984

Sinopse

Mil anos após os 7 Dias de Fogo, um evento que destruiu a civilização humana e a maior parte do ecossistema da Terra. A humanidade se esforça em sobreviver neste mundo em ruínas, divididos em pequenas populações e impérios. Isolados um dos outros pelo Mar da Corrupção; uma floresta com plantas e insetos gigantes. Tudo nesta floresta é tóxico, incluindo o ar.
Nausicaä é a princesa do pequeno reino do Vale do Vento, que tenta compreender melhor estas florestas nocivas aos humanos, ao mesmo tempo que tenta salvar seu povo da ação belicosa dos reinos vizinhos.
A princesa Nausicaä é carismática, jovem e corajosa. Seu nome vem da princesa Nausicaä que ajudou Odisseu[1]. Parte de sua personalidade veio do conto do folclore japonês A princesa que amava insetos[2]
O mangá foi publicado pela Editora Conrad em julho de 2006, com tradução de Dirce Miyamura.[3] As publicações se encontram no quinto volume.

 Assista o filme legendado completo!


 

Tenkû no shiro Rapyuta (天空の城ラピュタ )

(em português: Laputa: O castelo no céu), 1986

Sinopse

Um menino, Pazu, se depara com uma menina, Sheeta, vinda diretamente do céu. Logo, ele descobre que, na verdade, ela fugia de piratas e agentes. Mas Sheeta mostra a Pazu uma pedra mágica capaz de fazê-los voar até um misterioso castelo no céu.

Assista o trailer

 

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Tonari no Totoro (となりのトトロ)

(em português: Meu Vizinho Totoro ou Meu amigo Totoro), 1988

Sinopse

O professor Kusakabe, leva suas filhas, Satsuki de dez anos e Mei de quatro, para morar numa casa no interior para que possam ficar perto de sua mãe convalescente. Ele divide seu tempo entre a casa e a universidade, e as meninas descobrem uma mágica paisagem, e uma amistosa comunidade rural que vive em harmonia com as matas ao seu redor. Este novo mundo se mostra cheio maravilhosas e algumas vezes assustadoras possibilidades. Essas possibilidades tomam formas que apenas crianças podem ver

Meu Amigo Totoro (My Neighbor Totoro, となりのトトロ, Tonari no Totoro) é um filme extremamente difícil de se classificar. Aparentemente simples, é construído dos pequenos eventos da vida das crianças, mas ao contrário dos filmes sobre crianças, não ignora as sombras que cercam este mundo de imaginação. Sua inovação mais ousada é levar a narrativa a visão infantil, e isso envolve mais do que se imagina. Alguns críticos dizem que pouco acontece em Meu Amigo Totoro, porém, descobrir um novo mundo, aprender o ciclo da natureza, e enfrentar o medo da morte é mais do que o suficiente para sustentar um filme, especialmente nas mãos de Miyazaki.

Totoro é, sem dúvida, visualmente magnífico. A ação pode ser mínima, mas as paisagens são incríveis. De céus gigantes com as lindas cores do verão até o pequeno caramujo na grama, de fundos ultra-realistas dos templos até a animação surreal do vento nas árvores e chão, cada quadro é perfeitamente trabalhado. Joe Hisaishi criou o que pode ser sua melhor trilha, outro milagre de aparente simplicidade. Em termos de história, design, animação e musica, este filme atinge uma perfeição tão grande que é quase injusto que ele passe por críticas.

Miyazaki locou seu filme nas paisagens de suas lembranças de infância. A maior parte foi consumida pelo crescimento urbano de Tóquio. Ele também transpôs suas próprias memórias da mãe doente para criar um comovente filme em que uma garota vai percebendo aos poucos que a morte de sua adorada mãe também significaria a morte de sua infância. Sem sentimentalismos, sem desonestidade, sem pieguice, e sem nunca falhar no reconhecimento das verdades da vida, o mestre produziu um filme com mais magia do que qualquer um com magos e super-poderosos poderia criar. Para todos, uma obra–prima, para muitos, o favorito do Studio Ghibli.

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Majo no takkyûbin (魔女の宅急便 )

(em português: Serviço de entregas da Kiki), 1989

Sinopse

Kiki é uma jovem bruxa em treinamento, que acabou de completar treze anos. De acordo com a tradição, todas as bruxas com essa idade devem deixar suas casas, para aprender a viver por conta própria. Kiki, junto com seu gato Jiji, voa para longe para viver na cidade de Korico. Depois de chegar lá, tem de arrumar emprego e aprender o verdadeiro significado de sua nova vida, principalmente depois que perdeu o poder de voar. Mais uma obra mágica do gênio Hayao Miyazaki, que ganhou o Oscar de Melhor Filme de Animação pelo incrível A Viagem de Chihiro. Uma longa jornada cheia de aprendizado, magia e muita emoção

Sobre o filme

Adaptado do romance escrito por Eiko Kadono, o roteiro de Miyazaki conta a história de Kiki, uma bruxinha – das clássicas, que voa com vassoura, tem um gato preto e usa vestido de cor escura – que mora com os pais em um pequeno vilarejo. É tradição da bruxaria que quando a menina completa treze anos de idade viaje com o intuito de se preparar para se tornar uma bruxa. Pois bem, quando a personagem que dá título à obra chega à idade determinada, sai de casa em busca do aprendizado para o seu futuro, levando consigo o animal de estimação (este, por sua vez, serve como um eficiente alívio cômico).

Ela acaba parando numa cidade grande (cujo nome não é mencionado) e se encanta com o local, decidindo se instalar por lá. Depois de alguns pequenos desastres, Kiki faz um excelente trabalho ao entregar a chupeta que a mãe de uma criança havia esquecido na padaria, de forma rápida – voando. A dona do estabelecimento decide acolhê-la num quarto que possui. Em compensação, a menina irá trabalhar para ter direito a estadia e comida. – Qual o emprego? – O sugerido no título, em que ela utiliza da rapidez de seu voo para montar um serviço de entregas bem melhor do que a maioria.

O longa surge como uma aparente aventura despretensiosa – o que não o diminui -, pois em seus minutos iniciais o roteirista abraça o gênero de forma admirável, investindo em sequências divertidas de ação, como a que ela tem que fugir de pássaros, ir atrás da entrega que acabou deixando cair na floresta, tentar contornar a situação que havia armado, ainda esperar o pescoço do gato de pelúcia – que era a encomenda – ser costurado (enquanto lava o chão da casa de uma mulher). Ou seja, são complicações que vão sendo impostas para tornar tudo muito mais emocionante.

Todavia, de repente, Miyazaki revela as vertentes dramáticas de sua obra. Logo de inicio a personagem tem que se adaptar a um ambiente estranho, com pessoas que a olham torto; não é seu lar, afinal. Posteriormente, procura ter a vida social “normal” de uma jovem, tentando ir a festas e ter amigos, mas vê que nunca será aceita como tal, não somente por ser uma bruxa e, portanto, ser encarada com olhares diferentes, mas por ter os serviços de uma, estando fadada a dedicar sua vida toda a um objetivo. Ligado a este conflito interno, está o romance inocente entre Kiki e um garoto da cidade, que sonha em voar e fica chavecando-lhe o tempo inteiro. No fim das contas, demonstra ser muito mais imaturo que ela e acaba deixando-lhe magoada – mesmo sem querer.

Começa, por fim, a crise de identidade da garota. Toda bruxa tem que achar seu dom, o caminho a traçar, e é pra isso o treinamento. Falta isso para Kiki, que não se definiu, ainda tem de encontrar o verdadeiro significado de sua vida, o “eu” interior. Durante a crise, seus poderes são perdidos e acaba tendo que tirar umas férias do trabalho. Encontra-se com a mesma mulher que costurara sua encomenda, esta faz um discurso sobre se encontrar – ela faz pinturas por gostar disso, outra senhora (que aparece anteriormente) cozinha porque gosta; isso lhes dá prazer. Pois bem, o que dá prazer a Kiki é ser bruxa. É isso o que ela quer saber fazer, utilizar disso para promover o melhor que puder para os outros – mais altruísta impossível. Impulsionada pelo romance apresentado antes, seus poderes de bruxa tem que voltar por necessidade – é então que ela se agarra à ideia de ser uma bruxa, encara as consequências disso (boas ou ruins), e descobre como pode ajudar utilizando os seus poderes. Finalmente, sua crise encerra e ela completa seu ciclo de amadurecimento – de volta à minha teoria inicial.
O Serviço de Entregas da Kiki consegue ser, desse modo, um dos mais encantadores filmes originados do imaginário fantástico do gênio Hayao Miyazaki. A trama se desenvolve de forma extremamente natural; não há o clássico embate dos animes entre bem e mal; o humor é agradável; o drama é frágil e complexo, assim como todo o roteiro, que apesar de soar simplório à primeira vista, é inteligentemente construído pelo mestre, de forma que obstáculos dramáticos são inseridos a todo o momento. E como resistir ao charme da personagem título, que é ingênua até o limite, não hesita em auxiliar ninguém em nada, é destrambelhada, divertida, e é – literalmente – mágica? Dizer que o visual também é maravilhoso seria “chover no molhado”, pois os traços do Studio Ghibli são sempre deslumbrantes – mesmo que, como nesse caso, não seja o melhor de seus trabalhos nesse quesito.

Fonte :  lumi7.com.br
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Kurenai no buta (紅の豚)

Porco Rosso, 1992

Porco Rosso é a história de um aviador com cara de porco (a que é que pensavam que o título se referia?) que pilota um avião encarnado no mar adriático, caçando piratas do ar. O facto de Porco (porque esse também é o nome da personagem principal) ter cara de porco é aceite por todas as outras personagens com uma naturalidade desconcertante. A razão pela qual isso acontece não é perfeitamente clarificada durante o filme e a interpretação é deixada ao espectador.

Mas vamos lá com calma… Todo o filme se passa em paisagens mediterrânicas com mares azul turquesa, pequenas ilhotas e céus limpos. Os cenários têm a riqueza cromática e de pormenor cujo expoente máximo é a Viagem de Chihiro (2001). Cada plano do filme é um quadro em si. Dá GOSTO olhar para os cenários e iluminações e sombras e cores deste filme. As várias cenas passadas em ambientes mais urbanos são todas pintadas em tons suaves e quentes (algures entre o amarelo, o cor-de-laranja e o castanho) dentro dos quais contrasta o avião encarnado de Porco.
As personagens têm o desenho típico da animação japonesa (que ou se gosta ou se odeia) e a sua animação é (digo eu) muito mais rica de pormenor e expressão do que qualquer filme de animação ocidental. Basta verem cenas de multidão, e há sempre, mas sempre, pormenores nos figurantes. Nada é deixado ao acaso. Miyazaki tem amor ao detalhe.

A história enquadra-se (apesar de isso nunca ser claramente explicitado durante o filme) na Itália fascista pré II Guerra Mundial. Porco Rosso é o último dos aviadores aventureiros que se recusa a voltar para a Força Aérea e a lutar pela “pátria”. Entre resgates de turistas, perseguições aéreas e duelos aeronáuticos, vamos descobrindo a história de Porco, as suas desilusões e os seus amores perdidos.

O que me continua a fascinar nos filmes de Hayao Miyazaki é a ausência de um vilão. Há antagonistas, não me interpretem mal! Senão a história não andava para a frente. Mas estes antagonistas são sempre mostrados como sendo de tal forma ridículos, risíveis, trágicos ou simplesmente humanos, que se torna impossível não empatizar com eles, ou, no mínimo, compreendê-los. Porco Rosso é um exemplo claríssimo disso, sendo que o seu antagonista principal é um aviador americano que ambiciona ir para Hollywood e, eventualmente, tornar-se presidente!

A cereja em cima do filme é a música de Joe Hisaishi. Compositor da banda sonora da quase totalidade dos filmes de Miyazaki e dos estúdios Ghibli, Joe Hisaishi compõe para Porco Rosso uma banda sonora reminiscente dos filmes de aventura de Errol Flynn misturada com músicas de Edith Piaf (ou então que são tão semelhantes que poderiam ter sido cantadas por ela).
Joe Hisaishi é um dos grandes compositores de bandas sonoras de sempre, lá em cima com John Williams, Danny Elfman e Ennio Morricone.
Não estou a brincar, a sério, se tiverem oportunidade façam download dos seus discos (de uma forma inteiramente legal a partir de sites creditados e fidedignos) da internet, e ouçam-no! Vale bem a pena.

O resultado é um filme completamente delicioso. Já o devo ter visto umas 5 vezes e não me canso. É como comer chocolate ou beber um bom vinho. É uma doçura de filme, completamente imperdível e que, tragicamente, vai ser perdido pela vasta maioria das pessoas.

Fonte: des1biga

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On your mark (vídeo-clipe de Chage & Aska), 1995

Este é um vídeo-clip encomendado pela dupla Chage e Aska ao animador Miyasaki.

Assista o clip completo

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Mononoke-hime (もののけ姫)

(em português: Princesa Mononoke), 1997

Sinopse

Japão, Era Muromachi. Aquele era um tempo de muitas mudanças, onde os homens ainda conviviam com feras e deuses. Mas a paz só duraria até um inevitável dia em que tudo seria posto abaixo e o homem mostraria do que era capaz.

Custou cerca de US$20 milhões figurando como uma das animações mais caras já produzidas da história do cinema animado japones para a época em que foi feito. Sendo praxe dos trabalhos de Miyazaki, o filme foi feito da maneira mais tradicional: à mão e utilizando a computação gráfica em menor quantidade.

Um terrível demônio que possui o corpo de deus-Javali, estava deixando a floresta e se dirigindo ao vilarejo dos Emishi, um povo nobre cujo príncipe chama-se Ashitaka, ele é quem se encarregará de parar o terrível deus-Javali (na verdade um “Tatari Gami”, ou “deus da Maldição”) que estava a caminho de sua região, e com certeza iria destruí-la. Mas o resultado dessa batalha é que ele acaba recebendo uma maldição, posta pelo demônio pouco antes de morrer. Condenado, Ashitaka decide deixar seu povo e segue para o oeste, em busca da cura para o seu problema.
Sem que ele soubesse, no oeste, os mineradores de ferro e os deuses-animais travam uma grande batalha. Do lado dos deuses-animais se encontra San (a princesa Mononoke), uma jovem garota que foi adotada e criada por uma tribo de deuses-lobo. Seu ódio pelos humanos que querem destruir a floresta dos deuses é tão grande, que ela acaba esquecendo-se de sua própria humanidade. Mas sua vida muda quando ela conhece o jovem príncipe Ashitaka, que passa a amá-la.


As coisas não estão fáceis, já que os mineradores da aldeia liderada por Lady Eboshi só querem que sua terra seja um lugar bom e estável para se viver, e seria da floresta que eles retirariam as riquezas minerais, nem que para isso animais fossem mortos e árvores fossem derrubadas.
Ashitaka acaba tendo que ajudar San e os deuses-animais contra as intenções destrutivas do homem contra a natureza. Ele também descobrirá o verdadeiro motivo de ter sido amaldiçoado e sua missão naquela guerra.

Premiações

Mainichi Art Award (Japão) – Melhor Filme.
Japanese Academy Awards (Japão) – Melhor Animação.
Anime Grand Prix (Japão) – Melhor Anime.

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Sen to Chihiro no kamikakushi (千と千尋の神隠し)

(em português: A Viagem de Chihiro), 2001

Assistir Spirited Away é como ter uma aula de criatividade com o Sr. Hayao Miyazaki. Um universo paralelo criado por um dos mestres da animação da atualidade.

Sinopse

A família Ogino está de mudança para uma nova cidade. O casal, Akio e Yuko, está muito empolgado com a viagem. Mas, o mesmo não acontece com sua filha Chihiro, uma garotinha de dez anos que está muito chateada por ter que deixar todas as suas lembranças e amigos de infância para trás. Nas mãos, ela carrega um buquê de flores, o último presente que ganhou antes de ir embora.
Chegando à nova cidade, o pai pega um atalho e a família acaba parando na frente de um imenso prédio vermelho, no qual um túnel infinito boceja como uma boca gigantesca. Atraídos pela curiosidade, os três seguem caminhando através do túnel. Mesmo com muito medo, Chihiro acompanha os pais.
Do outro lado do estranho prédio, os três encontram uma cidade misteriosa e deserta. Depois de andar alguns passos, Akio e Yuko, avistam um suculento banquete e começam a devorá-lo. Chihiro deixa os pais por um instante, para conhecer o local, até que para numa ponte. De repente, aparece Haku, um misterioso jovem que pede a ela para sair dali antes do anoitecer. Ela corre para encontrar seus pais, mas, quando chega perto deles, vê que os dois se transformam em porcos, e fica apavorada.
Perdida e sozinha, a pequena Chihiro se vê diante de um mundo repleto de espíritos, monstros e deuses. Para sua sorte, Haku vai ajudá-la. Ele ensina a Chihiro o melhor caminho para se chegar até a bruxa Yubaba, a dona da casa de banhos, e sugere que ela peça para trabalhar na mesma. No caminho, ela conhece Kamaji e Lin. Os dois, assim como Haku, ajudam-na a se acostumar com esse mundo.
A feiticeira revela que todos os humanos que entram em seus domínios são transformados em animais, antes de serem devorados. Aqueles que não têm o triste destino precisam provar seu valor no trabalho, ou são condenados à morte. Sem alternativa, a menina faz um trato com Yubaba para trabalhar na casa de banhos, renunciando à sua humanidade e mudando de nome, que passa a ser Sen.
Enquanto trabalha, Chihiro terá que descobrir uma maneira de encontrar suas lembranças, salvar seus pais e sair da cidade, ou então será escrava da bruxa para sempre.

Personagens

Chihiro: Chihiro é um exemplo da criança moderna, mas quando ela embarca em um outro mundo tem que deixar de lado suas frescuras e lutar para voltar ao seu mundo. Ela precisará de seu juízo, de sua coragem, de sua lealdade e de lembrar de seu nome, acima de tudo.

Haku: Garoto enigmático que protege e encoraja Chihiro.Haku também é o braço direito de Yubaba, para ser mais especifico, ele é aprendiz de feiticeiro.

Yubaba: Feiticeira que comanda a casa de banhos, apesar de no começo parecer má tem seu lado bom, pois trata com carinho seu bebê.

O rosto dragão de Haku foi desenhado com base no crânio de cachorro.

Zeniba: Assim como sua irmã Yubaba, Zeniba também é feiticeira e vive num pântano muito distante da casa de banhos de Yubaba. É ela que ajuda Chihiro quando Yubaba estava a sua procura.

Boh: Filho de Yubaba, que passa a maior parte do tempo em seu quarto para não ficar doente, especificamente, costuma dormir fora do berço. Acompanhou Chihiro até a casa de sua tia Zeniba.

“Sem Rosto”: É um deus sem personalidade. Sua personalidade e o seu jeito de ser são como o das pessoas que lhe estão perto e como essas o tratam. Muitos o confundem pensando que ele tenha enganado Chihiro e que ele seja mau. Ele porém ajuda e é gentil com Chihiro pois ela assim foi com ele. Quando os funcionários da casa de banho foram gananciosos ele muda sua personalidade sendo como eles, gananciosos e arrogantes. Curioso é que ele adquire além da personalidade a voz e o corpo de quem ele devora, como o sapo e os dois funcionários (ganhando primeiro pernas de sapo e depois as pernas humanas). Quando Chihiro lhe dá o bolo de ervas que o deus rio lhe deu, o Sem Rosto expulsa tudo aquilo que ele comeu e toda personalidade adquirida. Como ele acompanha Chihiro até a casa de Zeniba ele volta a ser dócil e gentil perto de Chihiro. Seu nome (Sem Rosto) e seu corpo (uma sombra) são analogias a sua personalidade.


Akio e Yuko: São os pais de Chihiro. Estavam de mudança até chegarem a uma construção japonesa que se mostra ser um bom lugar. Sem saber de nada, inocentemente comem a comida dos deuses e fantasmas que habitam por ali e viram porcos. Chihiro tem que fazer o máximo para trazer eles de volta ao estado normal e sair daquela cidade fantasmagórica.

Kamaji: É ele quem controla as caldeiras, para fornecer água fresca com variedades de sais para a casa de banhos de Yubaba. Também é ele quem ajuda Chihiro a arrumar um emprego na casa de banhos.

Lin: É uma das trabalhadeiras e empregadas da casa de banhos de Yubaba. É ela que cuida de Chihiro e ensina a ela alguns truques deste novo mundo. Pode parecer um pouco geniosa, mas tem um coração bom.

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Hauru no ugoku shiro (ハウルの動く城)

(em português: O Castelo animado ou O Castelo Andante), 2004
Sinopse

Na terra de Ingary, onde botas de sete-léguas e casacos da invisibilidade existem, é muita falta de sorte ser a primeira de três filhas. Todos sabem que essa vai ser a que vai falhar antes, e pior, quando as três saírem fazer fortuna.
Esse foi o caso de Sophie e ela já havia se resignado a ser o fracasso da família quando atrai a atenção indesejada da Bruxa das Terras Desoladas que a transforma em uma velha.
Determinada a acabar com a maldição Sophie vai ao único lugar onde pode conseguir ajuda – o castelo que fica perambulando pelos montes próximos. Esse castelo pertence ao famoso Mago Howl cujo apetite, dizem, é satisfeito somente com o coração de belas moças.
Sophie faz um acordo com Calcifer, o demônio do fogo que reside na lareira do castelo: Se Sophie desfizer o pacto que o une a Howl ele quebraria a maldição da bruxa. Calcifer não pode dar os detalhes mas dá dicas indiretas para que Sophie adivinhe o contrato do pacto.
Sophie logo nota que os boatos sobre Howl são criados por ele mesmo para que fiquem a distancia dele. Na verdade ele é um homem charmoso e inteligente, mas tem muito orgulho de sua aparência e é muito cabeça-dura. Howl gosta de dar um jeitinho de se livrar das situações desconfortáveis, freqüentemente de modos cômicos.

Mas surge um problema do qual ele não consegue se livrar! Principe Justin saiu em busca do desaparecido Mago Suliman e quando este também desaparece Howl é enviado pelo rei para procurar os dois e derrotar a Bruxa das Terras Desoladas, suspeita de ser responsável pela desaparição dos dois.
Howl quer evitar um encontro com a bruxa, uma antiga amante que por ciúme jogou uma maldição nele, então Howl tenta se livrar da missão pedindo para Sophie, que finge ser sua mãe, fazer uma petição para que ele não tenha que cumprir as ordens, mas sem sucesso.
Howl na verdade está enfrentando a bruxa enquanto finge que está desinteressado. Mas a bruxa não é um oponente fácil de enganar pois ela é uma feiticeira poderosa e também tem um demônio do fogo!

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Gake no ue no Ponyo (崖の上のポニョ)

(em português: Ponyo à beira-mar), 2009

Sinopse

O filme conta a história de Sōsuke, um garotinho de cinco anos, e Ponyo, uma princesa peixinho-dourado que deseja muito virar humana. Um dia Ponyo foge do seu lar no oceano e vai parar na encosta onde Sōsuke a encontra e promete protegê-la para sempre.
Miyazaki foi influenciado nesta história pelo conto A Pequena Sereia de H.C. Andersen,[4] além de inspirar-se na lenda japonesa Urashima Taro. Seu filho Gorō serviu de base para a construção do personagem Sōsuke.[5] A cidade do filme foi baseada no Setonaikai Kokuritsu Kōen um famoso parque japonês.

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Karigurashi no Arrietty (借りぐらしのアリエッティ)

(em português: O Arrietty mutuário), 2010

Sinopse

Arrietty, uma pequena garota, porém persistente, de 14 anos de idade, mora com os pais no recesso do jardim de uma casa no subúrbio, sem o conhecimento do proprietário e de sua empregada. Como todas as pessoas pequenas, Arrietty permanece escondida das pessoas, exceto durante ocasionais empreendimentos secretos além do assoalho para “emprestar” pequenos fragmentos, como cubos de açúcar, dos humanos, donos da casa. Mas quando Sho, de 12 anos, um menino humano, vem para ficar na casa, descobre sua misteriosa companheira em uma noite, uma amizade secreta floresce. Se descoberto, o relacionamento deles poderia levar a família de Arrietty de casa, direto para o perigo.

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Bonus – Alguns Storyboards que encontrei por aí

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