sem título – 097

eu ouço


tu … hein?


eles … hãn?

sem título – 096

can can

máquinas dançam can can
máquinas de café, mulatinhas dançam samba
máquinas sentem perfume
gatos cafuné
proparoxítonas máquinas de fazer café
modernas e proparoxítonas máquinas de fazer crochê
e que se ilmunine
máquinas mulatinhas de fazer café
esquizofrênicas máquinas proparoxítonas de triturar futas
curiosas máquinas de estiramento
se pudessem tais máquinas de estiramento
estirar o tempo
tornar cada vão minuto
daquele sabor que emana
sabor que exala
entra pelas narinas
aquele céu
que me absorve
absorver?
reter?
é isso que quer dizer?
talvez só ab sorver
para dis solver
como um suco?
ou açucar no copo?
como açúcar no café?
das máquinas mulatinhas proparoxítonas de fazer café?
dis solver
como a areia entre os dedos
mas molhada não dissovel..
gruda
grudar também é dis solver
iludir
di luir
di minuir
f luir
usu fruir

outras palavras – 001

“não poderia ser diferente

não viria de outra forma tal palavra
pronunciada,
manuscrita/ digitada…
não viria, se não fosse diferente”
Apenas palavras diferentes
de fatos inusitados
de um caos tão bem organizado…
ocorreria tal encontro de palavras,
Abaixo, seguem as palavras que
por acasos e esbarrões pararam em minhas mãos
mãos? email
que agora é o mais fácil meio.
Enfim, um texto da desconhecida Edna.
Tão sã quanto minha pessoa… ou não
“Uma folha em branco faz a gente pensar no que escrever.
Eu não. Simplesmente a folha em branco já me faz saber o que escrever.
As pessoas são diferentes e agem diferentemente uma das outras.
É por isso que eu sou diferente e penso no que escrever antes mesmo de escrever.
Por exemplo, agora não tive tempo de pensar no que escrever, mas a minha mão já se acostumou com o ritmo frenético de escrever que antes mesmo que eu pudesse pensar em algo minha mão já escrevia.
As idéias borbulham em minha mente…
Não sei o que faço para ser normal; intitulada de normal.
Eu sou normal dentro do meu conceito;
Eu não sou louca…
As loucas não sabem o que escrever…
Eu sei…
Então é isso? As pessoas é que são loucas?
Realmente é assim: eu sou normal porque sei o que escrever; as pessoas são loucas porque não sabem o que escrever.
E as colocações? E a conjugação correta do verbo?
Tem que fazer tudo isso?
Saber o que escrever não é saber escrever…
As leis da língua portuguesa nos norteiam.
Mas…
Quem me garante que a língua portuguesa está correta?
Se o texto e a criação são meus eu redigo conforme minhas leis…
Ah então estamos falando da licença poética…
Que bom! Realmente a língua portuguesa é correta.
Eu escrevo errado e ela me protege com a licença poética…
Por quê?
Para fazer uma poesia é necessário errar?
Não.
Mas eu erro você erra e nós erramos.
Não paremos, pois “a vida é efêmera”.
“Vivamos intensamente”…
Não é um pedido, mas uma ordem…
Conjuguei o verbo viver propositadamente no modo imperativo,
Porque se não se obriga, não se cumpre.
O ser humano é assim: até para viver precisa de ordem.
Que patético! Mas vamos terminar pelo menos a folha…
Vamos? Quem vai?
Somente EU estou fazendo esse texto…
Então não é “vamos”, mas sim “vou”!
Estou sendo prolixa em minhas idéias…
O que queria e acredito que tenha conseguido mostrar é a capacidade do ser humano em improvisar textos que não são obrigatórios.
A lei nos inibe e ameniza nossa capacidade de raciocinar em prol de uma dissertação.
Temos que nos limitar a um assunto.
Sou a favor da liberdade de produção de texto!
Mas isso não é possível.
Tudo bem.
Um dia quem sabe isso mude.
Enquanto isso eu fica aqui na esperança de o mundo mudar e ser normal.”
“Edna Gomes”

sem título – 095

pois de repente as palavras sumiram..
e aquelas que tão facilmente saiam
tal qual letras que flutuam

pelas músicas que encaixam com teu sorriso
exalam a alegria que emana
tão fluida

por certo, de sorte tal
este homem que a tomar pra si
traz-me a adolescência na sua presença
rara presença
urgência dos sentidos..
som, o som de uma voz tão ímpar… única
hábito quase diário de observar o riso estático
a mulher de olhar melancólico hipnotizante

mulher aquela que consegue me perturbar!

mais do que palavras – 027

Inspiração
uma boa palavra
um dia chego lá

Ane Amarilo

Companheira madrugada,
quando todos dormem,
quando parece minha a cidade
pela janela o silêncio escuro e alaranjado.
Luz negra com seu toque fantasmagórico.
Quantas noite a insônia veio me chamar?
Que mundo é este onde aterrizei?
Que maldito mundo é este?
Maldito amor enlatado
sem sabor
malditas vulvas sequiosas
desejosas de uma vara que as façam gemer.
Malditas aquelas que gozam comigo.
Rosto rápidos perdidos.
Boca após boca.
Malditas todas.
Pois nenhuma consegue
nem quer
nem deseja comover
e sim gozar.
Que merda é comover?
Que merda é tocar?
Que merda de sentimento se deseja?
O beijo que é apenas o primeiro passo,
nada mais que isso…
A cama de lençóis virados.
Calor salgado,
brisa artificial sobre os corpos.
Cada uma com seu gosto diferente.
Cheiros, toques.
Uma após uma
apenas mais uma.
Que merda de lembrança é esta?
Por que ainda hoje esta presente, como se nada tivesse passado?
Por que ainda este amor, Ane Amarilo?
Quem é esta mulher que lacrou um coração quando foi embora?
Que Outubro foi aquele?
O mês mais intenso dos 37 anos.
Dane-se o juízo.
pois o juízo final decide tudo.
Atitude insensata escancarar
falar sobre assunto enterrado.
Mas sempre esteve em cova rasa.
Muito rasa.
Insensato, dizer que nenhuma mulher se compara a Ane Amarilo,
mesmo depois de quase dois anos.
Está ainda latente.
Ainda está no chuveiro dizendo:
- fecha a água, não desperdiça…
Sim, penso todos os dias,
lembro, fecho os olhos
ainda suspiro e levito quando vejo a imagem flutuando
na minha mente.
Não importam quantas e quem foram as mulheres que passaram em minha cama, nem as que passarem, não desejo o gozo que não seja contigo Ane Amarilo.
Repito hoje e repetirei por longa data.
Não existe outra em minha vida Ane Amarilo, a mulher em minha vida, única é você, independente do tempo e da ausência.

sem título – 094

O restaurante já foi considerado um bordel em outra época,

denominado “IDEAL”.
Nome e definição poupam maiores explicações.
Tempo passou, virou restaurante.
O estigma ficou, os freqüentadores, muitos também.
Em gênero, espécie e procura.
É a cozinha mais próxima do prédio, possui boa “maminha”, aqui sem duplo sentido.
Também a pizza de atum com champignon.
Música ao vivo, “o melhor da MPB” segundo ele.
entenda-se predileção do cantor/público por Fábio Jr. e afins.
A cozinha mais próxima.
Adorável prazer da observação.
Ela parece uma chaminé, não deve ter menos de 45.
Faz pose para fumar, em sua “consciência” tenha a ilusão que a “pose” demonstre ter classe. Classe em um lugar tão desclassificado.
Traga fundo,
ri soltando fumaça aos socos,
em direção ao teto
Chaminé..
Aquele cabelo não deve mais ser tão negro como a tinta mostra.
Qual falsidade esconde por baixo da tinta, da pose?
Qual seria seu fetiche, ao jogar charme para o guardador de carros
do lado de fora do restaurante?
Onde mora?
Onde trabalha?
Qual a sensação ao pintar os olhos, cada vez mais velhos?
De olhar seus lábios cada vez mais sem vida.
Dia após dia esvaindo a feminilidade.
Ainda sozinha.
Quantas contas para pagar?
Qual e quando terá sido seu grande amor?
Por que nesta idade ainda sozinha?
A pose de mulher resolvida.
Não seria esta a falsidade?
A tinta para cobrir o fracasso como família que não formou?
Onde ficou o desejo pela maternidade?
Será ela mãe?
Avó?
Envelhecerei observando?
Dia após dia, observando mais e mais fios brancos em minha barba,
Olhos que apesar de carregar ainda a infância
já se demonstram tão cansados.
Mãos que não possuem a textura de antigamente.
A seriedade do adulto no espelho,
maturidade, responsabilidade, planos e crescimento.
Contraste com a paixão adolescente de sempre.
Casos e histórias para se contar,
tantas histórias.
Olhos cansados de ver em cada mulher do passado,
em cada uma, um erro diferente.
Cena no ônibus, onde um casal de velhos
bem velhos, no banco da frente
olhares perdidos
passando por uma cidade que se transformou
dia após dia,
frente a seus olhos.
Aliança grossa nos desdos
a mão dela segurando o braço dele,
descansado sobre a perna da esposa.
Com olhar perdido,
num reflexo condicionado de toda a vida
ela afaga o braço do companheiro.
Este responde com uma leve pressão da mão na perna da esposa.
Sem desviar o olhar perdido,
estão ligados,
sempre estiveram.
Não percebem o observador.
Observar o quotidiano
Alegrias e náuseas.
Futilidades,
inutilidades.
Maldito Vinícius que Banalizou o verbo amar
quando ensinou o
“eterno enquanto dure”.
Maldito eterno enquanto dure.
O até que, apenas, a morte nos separe.
Não deixarei de acreditar,
anos que passaram
mulheres
frases e fases…
Posso tornar-me um observador idoso
mas jamais me renderei ao
eterno enquanto dure.
Sou ambicioso,
busco a mulher que vai acordar
todas as manhas na minha cama.
Mesmo que jamais use o mesmo travesseiro dela.
Ou a toalha.
Busco a presença, mesmo a respiração em silêncio,
os passos dentro de casa.
O horário de sempre.
As frases e atitudes habituais.
…e na velhice a mão sobre meu braço,
em um afago automático,
como sempre fez, a vida toda.
A pizza acabou,
de volta a realidade.
Aquela que parecia uma chaminé se foi
sem perceber,
perdido em meus pensamentos.
Uma gorgeta,
e ir para casa.
Quanto tempo faz
que seu olhar me perturbou?
Já nem sei.
Desde sempre, talvez.
Estava dormindo, quando você me acordou de madrugada.
Quando me acordou.

sem título – 093

uma vez mais
na mesa do mesmo resturante
com o mesmo cantor
cantando as mesmas canções
as mesmas vadiazinhas procurando sempre novos velhos
dinheiro
hoje o cantor está mais empolgado
a casa está cheia
cheia de gordas
cheia de velhos
e as vadiazinhas
com um careca estranho
que escreve enquanto observa
boa chuva cai
inunda
alaga
entope
transborda
nesta cidade imunda
e chuá
água para cima
lixo para cima
boiando
sobre as incoerências
sobre o arbítrio livre
sobre a morena que está na minha frente acompanhada
sobre estar acompanhado
sobre por que me olha se está acompanhada?
o que está por trás realmente de estar acompanhado
ter apenas uma
sem haver outra no futuro
higlander
e que seja assim para sempre
hora em que pensamentos
descem espinhosos
nó na garganta
que engasga
desce mas não digere
acreditar
em que mesmo?
em belas palavras
em emoções desesperadas?
sequiosas de emoções envelopadas
prontas em frases feitas
excalibur
tua língua em meu mamilo
água e sal
perfil esguio
doce voz dissonante
inebria com cada palavra

mais que palavras – 026

sem título – 091

nem bruma
nem leve
nem maresia
nem ao menos palavras soltas
já não fluem mais as palavras como antes fluíam
derramadas sem compromisso outro
que não fosse de encantar
agora…
escorrem
pelo
ralo
do
tempo
resumo para quem não pega no ar
maldita palavra hiberna
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