Robert Crumb (30 de agosto de 1943, Filadélfia, Pensilvânia) é um artista gráfico e ilustrador, reconhecido como um dos fundadores do movimento underground dos quadrinhos americanos, sendo considerado por muitos uma das figura mais proeminentes deste movimento, cujo ponto de partida foi publicação do gibi artesanal, Zap Comix, idealizado por ele.

“Meu desenho é tão primitivo que se eu desenhar com o pé ninguém vai perceber.” (Aline)

Os trabalhos de Crumb foram bastante apreciados na cena hippie, tendo deixado marcado nesta década a tira Keep on Truckin´ e os personagens Mr. Natural (que pode ser lido como uma sátira de Maharishi Mahesh Yogi e semelhantes, numa época em que era moda gurus espirituais) e Fritz The Cat, um gato boa vida que usa muitas drogas e tem uma vida sexual bastante lasciva. Crumb foi tema de um documentário intitulado Crumb, lançado em 1994 pelo diretor Terry Zwigoff. O filme foca-se nele e em seus dois irmãos, os três com um certo grau de sociofobia, frutos da criação de um pai severo e uma mãe superprotetora. Há, sobretudo, bastante destaque no irmão mais velho, Charles, e sua influência sobre seu irmão Robert. É narrado, em certo momento, que Charles obrigava seus irmãos a desenharem quadrinhos, na infância. Na década de 1970, começou a colaborar com o roteirista e arquivista Harvey Pekar, um homem da classe media baixa de Cleveland que narrou suas visões de mundo, mostrando o cotidiano tedioso da classe media americana, sem preocupações. Muitas vezes os percalços desta parceria foi retratada nos próprios quadrinhos feitos em parceria pela dupla. Produziu frequentemente HQs autobiográficas com sua esposa, Aline Kominsky-Crumb, desenhadas a quatro mãos e publicadas na revista The New Yorker. Tais obras estão sendo republicadas no Brasil pela revista Piauí. Passou a adaptar obras literárias de autores como Franz Kafka, Charles Bukowski e Philip K. Dick. Em 2009 lançou a adaptação quadrinhistíca do Gênesis, o livro da bíblia. Em 2007, figurou o 20º lugar da lista de 100 gênios vivos, compilada pela empresa de consultoria global Synectics. Atualmente, mora no sul da França com esposa e filha, ambas cartunistas. A ZAP Comix surgiu como revista publicada artesanalmente na década de 1960, tendo seu primeiro número, desenhado inteiramente por Crumb, vendido nas ensolaradas ruas de San Francisco por ele mesmo, sua mulher grávida e um carrinho de bebê, onde deixava as revistas. Pouco depois, surgiram outros artistas para participar da publicação: S. Clay Wilson, Rick Griffin, Robert Williams, Manuel Spain Rodriguez, Victor Moscoso, Gilbert Shelton e, mais tarde, Paul Mavrides. A revista mostrava o espirito da agitada juventude de 1968. A Zap Comix influenciou toda uma geração de novos autores, que nos anos posteriores culminou no que hoje é conhecido por Small Press do mercado de quadrinhos norte-americano. Além disso, fez a famosa ilustração para a capa do disco “Cheap Thrills”, da sua amiga, Janis Joplin. Página Oficial: http://www.crumbproducts.com/

“Eu acordei um dia e estava vivendo na França.” (Crumb, sobre a decisão de sair dos EUA, tomada por Aline)

 

“Eu não entendo porque as pessoas me colocam nessa situação. Sou uma pessoa entendiante na vida real. Meu trabalho é interessante, mas minha personalidade não é nada demais, vou entendiar todos eles. E todos esses fotógrafos, é muito desconfortável. É extremamente incômodo.” (Crumb)

 

 

 

 

 

“Eu gostei da ideia de viajar de graça para um lugar bonito como Paraty.” (Shelton, justificando sua vinda ao Brasil)

 

 

“Quem você gostaria que interpretasse você num filme?” (Shelton)

“Brad Pitt? Não sei.” (Crumb)

“Eu queria ser interpretado por Clint Eastwood” (Shelton)

“Mel Gibson para mim, então” (Crumb)

“Não lembro de muita coisa daquele período, estava fumando muito, usando muito LSD, tudo se confunde na minha cabeça.” (Crumb, desconversando sobre a época em que conheceu Shelton)

“Competitivo? Competitivo? Está brincando? Havia tão poucos de nós, uns quatro, talvez, não havia nada por que competir.” (Crumb, sobre se era competitivo o cenário em que começou a fazer HQs)

“Eu fazia uma página semanal dos Freak Brothers, e todos que faziam parte do editorial viviam chapados, enquanto eu dizia, não, não, preciso terminar minha história. Quando saía a publicação, todas as histórias eram completamente ilegíveis, exceto a minha página.” (Shelton)

“Ela (Janis Joplin, que era amiga de Shelton e rejeitava a ideia de passar do folk para o rock) devia ter continuado no folk, eu acho. Estaria viva hoje…” (Crumb)

“Não sou mais tão obcecado por sexo quanto era. Vejo esse trabalho agora e não me identifico com a pessoa que fez isso. Penso: Jesus, que lunático. Ah, me assentei com a idade. Sou um velho acadêmico agora.” (Crumb)

“Acho que as mulheres brasileiras são… tall and tan and young and lovely, the girl from Ipanema goes walking, and when passes each one she passes goes a-a-ah” (Shelton)

“Eles estão publicando meu Gênesis em Israel, vai sair em hebraico. E como é escrito da direita para a esquerda, eles estando colocando na posição inversa todas as ilustrações, para colocar o texto. É louco. E foram os editores que me deram o menor adiantamento entre todos os que me publicaram.” (Crumb)

“Os Três Patetas são populares aqui? Isso me faz respeitar muito mais o Brasil. Na França, eles são completamente desconhecidos. Eu os mostrei a um amigo lá, e ele me disse: ‘Isso é completamente estúpido’. E eu lá rolando no chão de rir.” (Crumb)

“Estou feliz em estar aqui porque venho sendo ignorada há 40 anos” (Aline)

“As pessoas mandavam cartas cheias de ofensas quando começamos a desenhar juntos. Diziam: ‘Ela pode ser boa na cozinha, mas deixe-a longe do papel’. As pessoas estavam furiosas.” (Aline)

“Não é do seu interesse.” (Aline, sobre se a dinâmica do casal também funciona bem no sexo)

 

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